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De múltiplas planilhas a um só painel: como a Embraer tornou o reajuste de contratos uma decisão estratégica

Na área de Engenharia de Custos (Cost Engineering) da Embraer, uma das operações mais estratégicas do negócio dependia de uma das ferramentas menos estratégicas que existem: as planilhas Excel. O controle de contratos, o cálculo de reajustes e o acompanhamento de índices de mercado do mundo inteiro estavam espalhados por múltiplos arquivos, atualizados manualmente, mantidos por pessoas específicas.
O problema não era de competência da equipe. Era de infraestrutura. Cada reajuste exigia cruzar índices externos com fórmulas contratuais à mão, cada renegociação virava uma nova versão de planilha, e cada
análise dependia de quem sabia onde a informação estava. O resultado era tempo consumido em tarefa mecânica e uma visão fragmentada de um cenário que precisava ser lido de forma estratégica.

Engenharia de Custos não é uma área de digitação. É uma área de decisão. O trabalho que importa está em antecipar riscos, priorizar contratos de maior impacto financeiro e chegar à mesa de negociação com dados sólidos. Mas quando o controle vive em planilhas manuais, a energia da equipe se esgota antes de chegar à análise: coletando índices, atualizando fórmulas, conferindo versões. Contratos de reajuste envolvem ainda diferentes áreas, cada uma com sua responsabilidade e seu recorte de informação. Sem um sistema que organizasse acesso e governança, a colaboração dependia de trocas informais e o dado corria o risco de perder rastreabilidade.

A hipótese era direta: se uma plataforma coletasse os índices de mercado automaticamente, guardasse as fórmulas de reajuste de cada contrato e calculasse o price adjustment sozinha, a Engenharia de Custos deixaria de gastar tempo com triagem e passaria a gastar tempo com estratégia. A tecnologia para isso já existia. O que faltava era integrá-la às regras de negócio da Embraer, às bases contratuais existentes e à realidade de uma operação que precisa cruzar dezenas de fontes de dados para tomar uma única decisão de reajuste.

Construir a solução foi mais complexo do que a ideia sugeria.
Os índices que alimentam os reajustes vêm de origens, cada uma com seu formato e sua periodicidade. Coletar, padronizar e manter tudo atualizado automaticamente exigia uma camada de integração robusta, não um script pontual. Ainda, um desafio era a base contratual já existente. As informações de contratos já viviam no iSupply. Recadastrar tudo do zero criaria redundância e nova margem de erro. Por isso, a solução precisava conversar com essa base, importar o que já existia e evitar retrabalho. Além disso, cada contrato tem sua própria lógica de reajuste, com pesos e atrelamentos a índices que se alteram a cada renegociação. O sistema precisava permitir que a equipe editasse esses parâmetros sozinha, sem depender de time técnico a cada mudança.

A Proactive Price Adjustment Hub é uma plataforma web que substitui o controle manual em planilhas por um ambiente único de gestão de contratos, cálculo de reajustes e inteligência de dados. O desenvolvimento se estrutura em quatro grandes épicos, cada um atacando uma camada do problema. O sistema coleta de forma automática e periódica os índices de mercado externos (BLS, Standard & Poor's, EuroStat, Cost Drivers) e se integra à base da Embraer para importar as informações contratuais já existentes, eliminando redundância de cadastro. A plataforma também está preparada para a ingestão direta do relatório padrão de inflação, garantindo que gráficos e indicadores se atualizem automaticamente a cada novo input. Além disso, a interface unifica onde a equipe de Cost Engineering cadastra as fórmulas específicas de reajuste, definindo pesos e atrelamentos a índices, e edita parâmetros conforme as renegociações acontecem. Para além disso, um farol de contratos classifica visualmente cada contrato entre risco e oportunidade, com base no cruzamento entre variação de índices e custo estimado. Ainda, gráficos de projeção ajudam a identificar discrepâncias futuras, enquanto a classificação automática por spend organiza os contratos em ranking, permitindo à equipe focar esforço nos acordos de maior valor financeiro. Por fim, um dashboard único centraliza todos os indicadores em tempo real, facilitando o monitoramento
macro do cenário. A solução ainda automatiza a geração de relatórios analíticos, eliminando a confecção manual de slides e garantindo agilidade e padronização na apresentação dos resultados.

O impacto mais importante não está apenas no tempo economizado, está na mudança de natureza do trabalho. A área de Cost Engineering deixou de operar planilhas para voltar a fazer engenharia de custos: analisar cenários, antecipar riscos e negociar com dados na mão. A centralização resolveu também uma dependência que muitas áreas nem sabem nomear: a de pessoas-chave para saber o que estava acontecendo com os contratos. Com um painel único e atualizado, a diretoria não precisa mais perguntar. Ela vê, e pode agir antes que uma variação de índice vire perda financeira.

Mais do que digitalizar um controle, a Proactive Price Adjustment Hub transformou o reajuste de contratos de uma tarefa operacional em uma decisão estratégica, com dados confiáveis, governança clara e priorização automática do que realmente importa.

Automação libera a análise que importa. O gargalo nunca foi a competência da equipe, era o tempo consumido em triagem. Ao assumir a coleta de índices e o cálculo de reajustes, a plataforma devolveu à Engenharia de Custos o tempo para o que exige o conhecimento dela. O que começou como demanda por eficiência revelou um ativo estratégico: um painel que dá à diretoria uma leitura do cenário de reajustes que antes não existia.

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