
Business Beyond AI coloca processos e resultados no centro do debate sobre inteligência artificial
Business Beyond AI coloca processos e resultados no centro do debate sobre inteligência artificial
A AutoU reuniu lideranças de empresas como B3, Colgate-Palmolive, Embraer, Johnson & Johnson, Porto do Açu e Stellantis para discutir como aproximar a inteligência artificial dos desafios de negócio e transformar iniciativas de automação em resultados para as empresas.
Realizada em 22 de outubro, no Cubo Itaú, em São Paulo, a primeira edição do Business Beyond AI promoveu uma troca de experiências sobre transformação digital, com a tecnologia como ponto de partida e o negócio como foco.
Antes de escolher uma ferramenta de inteligência artificial, existe uma pergunta fundamental.
Qual problema do negócio precisa ser resolvido?
Essa questão orientou reflexões sobre a definição de prioridades e a mensuração dos resultados, além dos desafios enfrentados pelas empresas na implementação de novas tecnologias.
O papel dos processos na definição de prioridades
Um dos principais pontos discutidos no Business Beyond AI foi a importância de compreender os processos antes de automatizá-los.
Implementar uma solução sem questionar como uma atividade funciona pode significar apenas executar os mesmos problemas mais rápido.
Durante o encontro, Sara Santos, diretora tributária da Colgate-Palmolive, destacou a necessidade de olhar primeiro para os processos e para as pessoas, avaliando o que pode ser melhorado ou simplificado.
Essa perspectiva reforçou que nem sempre o primeiro passo é escolher uma tecnologia. Em alguns casos, a operação precisa passar por ajustes antes de qualquer automação.
Outro ponto abordado foi a definição do escopo. Projetos que tentam atender a muitas demandas desde o início podem perder clareza sobre suas prioridades e dificultar a identificação dos resultados.
Estabelecer o problema que será resolvido primeiro e os limites da solução ajuda a orientar o desenvolvimento, permitindo ajustes conforme surgem novos aprendizados.
A tecnologia pode acelerar processos, mas entender o que precisa ser transformado é o que direciona sua aplicação.
O impacto da IA para além da produtividade
Outro tema do encontro foi a forma como as empresas avaliam os resultados de suas iniciativas de transformação digital.
A redução do tempo dedicado a tarefas repetitivas costuma ser um dos benefícios mais associados à automação, mas esse indicador não representa todo o impacto de uma solução.
Maior transparência sobre a operação e rastreabilidade das informações também podem representar ganhos importantes para o negócio, assim como a redução de falhas de comunicação.
Nem todo ganho de uma transformação digital aparece como uma redução de tempo.
Para identificar essas mudanças, o ponto de partida também precisa ser considerado.
Comparar a rotina antes e depois da implementação permite compreender o impacto alcançado.
Algumas questões ajudam nessa análise:
- Quanto tempo a atividade demandava antes e depois da implementação?
- A equipe passou a atender um volume maior de demandas?
- Houve redução de erros ou maior visibilidade sobre as atividades?
- Quais atividades passaram a receber mais atenção dos profissionais?
Durante as conversas, também surgiu uma reflexão sobre o destino do tempo liberado pela tecnologia.
Automatizar atividades repetitivas não significa que o trabalho das pessoas desaparece.
Parte das responsabilidades continua dependendo da experiência dos profissionais e do conhecimento que possuem sobre a operação.
Nesse contexto, o planejamento precisa considerar como a rotina pode evoluir para que os ganhos de produtividade se traduzam em mais espaço para atividades de maior valor.
A importância da governança na transformação digital
A segurança também esteve presente nas discussões sobre a implementação de inteligência artificial nas empresas.
À medida que novas soluções passam a integrar as operações, surgem questões sobre o acesso às informações e a responsabilidade pelos resultados produzidos pela tecnologia.
A governança precisa acompanhar esse processo, estabelecendo quais dados podem ser utilizados, quando a validação humana é necessária e como eventuais riscos serão tratados.
O envolvimento das áreas responsáveis por segurança e compliance contribui para que os controles sejam definidos de acordo com as necessidades de cada operação.
A governança faz parte da transformação digital e precisa evoluir junto com a tecnologia.
O negócio no centro da transformação
Apesar das diferenças entre empresas e setores, o Business Beyond AI mostrou que muitos desafios da transformação digital são compartilhados.
As experiências discutidas reforçaram a importância de conectar as iniciativas tecnológicas aos problemas da operação e acompanhar os resultados ao longo do processo.
A transformação digital começa quando a tecnologia passa a responder às necessidades do negócio, e não o contrário.
Com uma recepção positiva em sua primeira edição, o Business Beyond AI abriu espaço para uma troca de experiências entre lideranças que enfrentam desafios semelhantes.
Queremos dar continuidade a esse encontro, ampliando as conversas entre empresas e aprofundando as discussões sobre os desafios da transformação digital.
O avanço da inteligência artificial abre novas possibilidades, mas é a capacidade de transformá-las em resultados que faz a diferença para o negócio.